sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Cronica de um brasileiro desesperado 5

Cronica de um brasileiro desesperado 5
Espere um pouquinho seu pai já esta terminando de coisar com a sua mãe gritou o senhor tempo. Quando eu contar até cinco e der o primeiro tiro daí vocês podem dar a largada para essa corrida, calma pequenos vocês estão muito anciosos vou comerçar a contagem.... 5, 4, 3,2,1, está valendo.....lá se foram os pobres girinos a procura da luz, correram e correram em busca do tão cobiçado prêmio. Infelizmente nesta corrida de hoje só um saiu vencedor outros nem conseguiram, ficaram pelo caminho mesmo. Daí vem outro obstáculo que vai durar mas nove meses isso se não vier a nascer de sete,e o pobre feto fica à espera dentro bolsa de água na barriga convivento com todo tipo de desejos escrabosos da tal genitora, alguns nem chegam a conhecer o mundo, são abortados logo no começo.É chegado o grande dia de conhecer o papai pela primeira vez se tiver sorte de seu pai não ser um bêbado vagabundo que nem no hospital colocou os pés, a espera do contato pessoal com a mamãe se assim podemos chamar... pois nem todas as mães são mães de verdade, pode acontecer de ser largado em alguma esquina da vida ou de ir parar numa casa de apoio para adoção.Finalmente o bebê tem pela primeira vez contato com a mamãe, ele olha para os olhinhos dela e vê que estão cheio de lágrimas e ternuras a mamãe chama-o pelo nome de Agenor. Nome herdado de seu bisavô emocionado ele suga o alimento e dorme chegando a sonhar com as batalhas já vencidas, quando derrepente acorda assustado com barulhos terríveis e muita confusão o ônibus que sua mamãe pegou acabou de ser assaltado e seu pobre papai chamado Zé Bedeu levou um tiro e morreu. Ele olha novamente para a mamãe que grita desesperada, o olhar já não é o mesmo agora é de horror, dor e sofrimento, como será sem o papai? Vida dura pois os avós, primos e tias não querem saber,com sorte consegue dar os primeiro passos mas logo é jogado numa creche, mamãe tem que trabalhar por uma mixaria que mal dá para comprar o leite e o pão de cada dia, Daí conhece outros como ele e vai vivendo de véspera e véspera descendo e subindo uma favela, como a mãe não teve tempo de educá-lo nunca viu um colégio na sua frente ,ele cresce no meio da miséria . Segue para o asfalto se deslumbra com as coisas que os bem nascidos tem, senti um mixto de frustração e ódio e aquilo vai crescendo no seu peito,vai sobrevivendo do jeito que dar para viver ás vezes virando o lixo fazendo pequenos furtos, dormindo em porta de igrejas bem ao lado da cruz que para ele não significa nada . Noites e manhãs de frio e chuvas até chegar a hora da morte quando se depara com um sorriso sem vergonha de um policial corrupto que puxa uma pistola e a sangue frio faz com que seus dias de véspera acabem ... dois tiros são suficientes mas não satisfeito ele dá mais três. Derrepente a rua enche de curiosos que sem saber de nada se tornam críticos especializados urubús com seus comentários maldosos , um rato jornalista de um jornaleco de quinta tira uma foto que vai estampar o rosto cravado de bala a maldade e a miseria nas bancas de revistas....

Um comentário:

Paulo Henrique disse...

Neste universo do autor não existe beleza,não existe uma bonita tarde de sol,tudo é só dor,tragédia e miséria...É a arte no feio,é a arte no lixo...