sábado, 28 de novembro de 2009


A viagem

2000,no elevador saindo da redação Eddy encontra um dos seus personagens,histérico ele grita:.. Não se lembra de mim? Vocês autores são assim mesmo ganham dinheiro,fama e depois nos joga no fundo de uma gaveta imunda cheia de baratas.
Com uma faca ele faz ameaças:..
Se não souber meu nome, vamos diga canalha!
Como vou me lembrar ?
Estou te procurando a muito tempo,não terminou minha historia, simplesmente me abandonou no capitulo 18 .
Claro me lembro , você é o Miro, abaixe esta faca agora vamos conversar,o público não se interessou por Bang Bang tempos modernos, e os editores cancelaram a edição não tive culpa.
Não vou abaixar nada, quero a continuação de qualquer maneira, ande tire essa caneta do bolso e comece a escrever, só assim terei paz por algum tempo, não notou estou morrendo, preciso de uma sobre vida, não precisa me dar um final feliz apenas me deve isso.
Fantasia acorde ,o que faz deitado neste elevador? Já está bêbado de novo? Vai ter que voltar para a clínica.
Fantasia não parava de tentar compreender o que tinha acontecido ali, se lembrou de Miro voltou para a clínica e lá escreveu o numero 19 e 20 de Bang Bang tempos modernos com grande aceitação popular.
1980. Em sua cama olhando para o teto de casa nele refletia a palavra infância:.. Eddy, Eddy meu filho, acorde..olha o que a mamãe trouxe para você, se não quiser ir a aula hoje por mim tudo bem, pode ficar na cama dormindo mas um pouco eu deixo.
Obrigado mamãe, adorei a fantasia prometo usar pelo resto da minha vida. Adoro a mamãe ela sempre me deixa fazer o que quero.
As vezes uma mudança de curso pode nos desviar por uma vida inteira...
Nossa como esta quente aqui ! O céu está azul, posso ver tudo da janela, os que estão lá fora nem imaginam o que os fantasmas fazem comigo... Não acredita ? Pergunte para a mamãe onde estou internado.
As vozes vivem a me atormentar:.. escreva isso escreva aquilo...
O homem não toma jeito.
Jeito de que? Só por hoje me deixem em paz, não quero escrever nada.
Não podemos parar agora.
Eu escrevendo alguma coisa, vocês acham que alguém vai ler?
Você escreve aqui outros escrevem ali não podemos ficar calados.
Porque não procuram os grandes escritores, porque logo eu ?
Os grandes já sentaram a bunda numa poltrona confortável já estão cheios de dinheiro não ligam mas para as grandes idéias, só cumprem contratos. Escrevem pensando em prêmios e troféus , procuramos jovens cheio de idealismos assim como você.
Mas eu só queria ser normal ter muitos amigos poder ir ao parque, namorar um pouco , jogar bola, andar descalço na chuva, deitar na areia da praia, ver o pôr do Sol ou quem sabe olhar as estrelas brilhando no céu, descansar desta arte que me incomoda, veja vocês onde vim parar ,não tenho paz..
Não chore Fantasia, você só está um pouco cansado, apenas escreva o que eu vou ditar no seu ouvido... a arte é tudo lembre se da peneira aquela da qual o menino não entendia...
Não consigo me lembrar! Fantasma clareia a minha mente.
Lembre-se de uma vez quando criança ele sentara em uma duna amarela a beira mar num dia azul e quente de verão...
Estou me lembrando .
Então ele tentava encher uma peneira com areia, porque um de seus primos cruel lhe dissera :..encha esta peneira que eu lhe dou uma moeda de dez centavos! E quanto mais rápido ele desejava,mais rápido a areia passava pela peneira suado pelo calor. Suas mãos estavam cansadas, a areia fervia, a peneira estava vazia sentado ali, em pleno mês de Janeiro, em total silêncio, sentiu as lágrimas escorrendo pela face...
O nome deste menino era Montag.
Segure com firmeza os problemas se não será sempre o garoto da peneira sentado nas dunas sem absolver nada, o mundo foi feito para os fortes, só os fortes podem permanecer, lute sempre contra suas fraquezas, agora apenas escreva...
1984,eu estava solitário, frágil e sem direção vagava pela noite a dentro, olhava o brilho das estrelas, as ruas estavam ficando vazias, era Fevereiro ,bem no fim do Carnaval alguns bêbados dormindo nas calçadas, pessoas tirando a fantasia ,a alegria de quatro dias foram passageiras... Então escutei alguém me chamar com uma voz doce e suave:.. Eddy!
Me virei vi uma mulher muito bonita ,devia ter uns trinta anos cabelos castanhos tocando no ombro corpo cheirando a pecado ! perguntei o que ela queria, logo me respondeu sorrindo: Sou Anabel, pensei:.. meu Deus que lábios !Então deixei ela continuar:..
Comprei seu livro poderia me dar seu autógrafo?
Foi então que respondi ao balançar a cabeça: Me desculpe querida Anabel não gosto de dar autógrafos, detesto esse tipo de coisa, não sou nada além de um escritor, mas agradeço por adquirir meu livro, gostou das minhas histórias?
Não gosto de livros, comprei o seu gostaria de te conhecer, estava lhe seguindo pois sou louca por ti Eddy querido faria qualquer coisa por uma noite de prazer ao seu lado.
Logo lhe disse brincando:... faria qualquer coisa mesmo? Então me apresenta para a morte.
Ela respondeu com um tom irónico:.. a morte eu não conheço, mas posso te levar para as profundezas do inferno .Siga-me que eu te mostro, então eu resolvi seguir aquela mulher e descendo, descendo,amando e amando, entrei numa igreja ouvi o sermão do padre diante de uma plateia sedenta que aplaudia e chorava disse sim, lá foram meses, anos, então foi que eu percebi que estava casado triste condenado fudido e mal pago.
1990 .Como disse uma vez John Lennon... ''tudo é sexo e sem sexo não há amor'' Só me dei conta disso quando fazia cooper por uma estrada vazia me sentir solitário e triste vendo que ambas as partes tinham perdido a vontade de se tocar, a cama era um lugar frio e sombrio parecíamos dois estranhos que nunca se viram na vida havia apenas um papel velho e amarelado pelo tempo com duas assinaturas , os filhos crescidos, as flores do inicio não tinha cheiro nem cor estavam secas e mortas, a comida posta sobre a mesa comia-mos com ódio no olhar a única palavra dita nestes anos era:.. Por favor passe o sal. Até a canção do Roberto não se escutava mais, haviam se acabado todas as serenatas, para minha felicidade numa sexta feira 8 de Abril ao chegar em casa depois do meu cooper matinal vi que a casa estava vazia, ela tinha me deixado só com a roupa do corpo foi embora. Pensam que fiquei triste ? Dei uma risada e gritei:.. Estou livre desta instituição falidaaaa!

trecho da areia tirado do Fahrenheit 451, Bradbury

Um comentário:

Paulo Henrique disse...

confesso a vc que lia o conto pensando na qualidade do texto e fazendo comparação com os meus muitos mestres contistas que li na vida e imaginei isso a uns 30 anos atrás sendo publicado por uma grande editora...O material está num mesmo nível de um Cortazar, um Machado, um LIMA barreto, impressionante a facilidade no escrever...