segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ASAS


ATIVIDADE FEBRIL
como o passado já não ilumina o futuro, o espirito vagueia nas trevas.
tcqueville

Helio, acorda meu filho, está delirando
Mamãe é a senhora?
Calma, sou apenas a enfermeira .
Droga eu odeio . Porra me deixa em paz .
O que esta falando filho? Veio parar aqui ontem a noite.
Quem me trouxe?
Ligou para emergência
eu preciso voltar
não pode se levantar, está doente.
Me larga, tenho direito.
O único direito está bem a frente
a morte é quem sempre dá a ultima palavra.
a senhora ouviu isso?
O que seria?
São asas!
quem eu sou? O que sou? Quem me conhece?
Eu te conheço tempo, tempo... horas vagas, esse é o fim dessa caminhada
E D F 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O VENTO..


O VENTO..
um garotinho brincava num terreno baldio
as quatro horas da tarde de um dia qualquer
revirando o lixo achou uma sacola plastica
olhou umas fotografias antigas de pessoas
achou especial a que tinha quatro cavaleiros vestidos com umas roupas
estranhas
no verso algo escrito a mão então leu em voz alta
jogando palavras ao vento sem significados para ele
copos vazios bocas secas dentes amarelados
alegrias mortas restando a imagem
quatro cavalheiros sentados espadas baixas
tempos gloria quem vai saber?
Vacaria o da esquerda de chapel de caça
Juan no centro portando uma espingarda
Ernesto apenas faz cara de bravo
Ambrósio segura um animal morto no mato
um dia eles também caminharam se cobriram de sol
se molharam na chuva
más por um estante o tempo deixou de ser o tempo deles
a morte veio transformar palavras num grande silencio
apenas o fim do que eles acreditavam, futuro papel amarelado corruido.
o garotinho então escultou sua mãe lhe chamar
tão rápido soltou a foto
então o vento a levou levou levou o dia do nascimento
sorrisos homens vencidos pelo tempo levou levou ..
E D F 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FILHOS DA GUTA


FILHOS DA GUTA
A herança herdada, uns discos velhos de vinil, toca disco cheio de teia de aranha...
papai tinha razão...
Quando for pai vai entender as dores do mundo ,carregará tudo nas costas
um dia a festa acaba, meu filho vai ficar remoendo lixos da memória sentado sozinho
neste degrau aqui, lembranças, dor, tempo se foi, sua mãe me deixou
sobrou eu você e a garrafa cheia, amanhã só você e a garrafa pelo meio
filho corre até a venda da tia Maroca compre mais três..
-papai e os discos antigos?
-toca filho, toca discos
-papai tú é corno pra caralho (risos)
-cala boca corno mirim (risos)
somos dois cornos saudosos nesse mundo (risos)
-pai vamos beber até o dia clarear, o mundo que se foda
-chama as gatinhas
-gatinhas não pai ,brotos...
-sei lá toda hora essa porra muda agora é cocota
-bota essa música
-o Odair é bom
-boa filho, me lembra sua mãe.
-porra pai, é melhor ser filho da puta que ser filho da outra.
-não filho, é melhor ser filho da santa que ser filhoda Guta
compreendeu? Guta puta .
-vou tocar outra música, do Odair?
Porra o velho dormiu, vem cá meu pai deixa eu tirar esse sapato... pô fiquei sozinho, caralho velho não tomou banho? Que chulé (risos) eita, o velho acordou tá doido correu pra rua pelado, porra o velho foi preso, o guarda me falou : -atentado ao pudor ...banho gelado na cadeia do bairro..
E D F 2O10

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

QUE FIM LEVOU SALY MARIA.

QUE FIM LEVOU SALY MARIA.
Saly deve se perguntar
pulo ou não ?
Vidinha normal, almoço na segunda, casa da tia na quarta
escola na sexta, o resto é só chorar.
Der repente vira a esquina pensamentos, algo perturbador:
um ser, um só, smiles outdoor dedo indicador
fim dos sonhos, álbum vazio Saly triste triste
Saly vai seguindo sem Ramones, Beatles ou Rolling stones
tudo colorido demais.
Saly entra em casa esgotada fodida e desgraçada
abre a gaveta da escrivania do pai, acha um livro, dedo na suástica
capa preta é filosofia da destruição, grande ópera pensa Saly
com o livro no colo pega o revólver Saly, Saly se foi..
sorriso estampado no rosto, gosto do sangue ainda quente
Saly se foi, Saly se foi, Saly se foi...

E D F 2010

sábado, 18 de setembro de 2010


O MURO
Eu moro num lugar
sem vista, rua paisagem
sorrisos ou mar
paz, lei, não posso brincar
beleza, arte, vivo sem dançar
eu moro num lugar sem areia sol ou playground
escolas, livros, professores sem prazer tarde ou amanhecer
felicidade amor ou flores
eu moro num lugar sem fraternidade, liberdade, igualdade
escuridão, falta de visão ,paz no coração
botas sujas ,amargura, reino da tortura
eu moro num lugar cheio de dor onde rostos são esculpidos
com pontapés,
isso vem de geração, o meu avô espancou meu pai,
meu pai me espancou, vou espancar meu filho um dia
eu moro num lugar de muro auto do qual não posso ultrapassar
os dias vão passando vou vegetando sem opinião
calado cabisbaixo quase morto sem
assistência social ,direitos humanos, meio ambiente
trabalho na segunda, choro na terça,
grito na quarta, sinto fome na quinta,sexta estou desnutrido,
entregue aos urubus no sábado, sem vestígio no domingo .
Ignorância é um oceano de água suja onde vivo a me afogar,
sou o analfabeto José ferreira neto.
E D F 2010

sábado, 11 de setembro de 2010


Minha nuvenzinha.
Caminhando pela praia com a minha nuvenzinha
não parava de chover, chove chove
estava triste aborrecido sem prazer
chuva chuvisco chuvarada
corri corri me escondi, lá estava a nuvenzinha
tudo que eu tentava não adiantava
molhado sentia um frio terrível,
resolvi pegar um ônibus
sentado olhei pela janela, porque chovia em mim?
Não entendia
doía todos os ossos do meu corpo
pessoas caminhavam, estrelas outros lua planetas até galáxias,..
o tempo passando já não sabia o que fazer,
descriminado não podia estudar, dormir ou relaxar
sempre que tentava o trovão zangado mandava me acordar
me deparei com um pequena planta na beira da estrada algo começou a mudar
seca, seca sem vida resolvi encostar,molha molha vi o tempo passar
tanta vida começou a se multiplicar flores e flores
hoje até o solzinho vem me visitar.
E D F 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

O MEU AMOR A NOITE


O MEU AMOR A NOITE
sem luar, fria
Noite agonia.
vento forte, noite de lembranças.
o passado ficou distante.
tempos, noite, paixões
Noite és igual todas as noites
canções velhas, noite de bar
fiquei imaginando... noite onde estava-mos juntos?
gargalhadas no circo. noite , a imaginação voou para bem longe.
Noite estou perdido,
algo que não sinto. noite , não encontro.
Cadê a paz verdadeira? noite ,caminhando me perdi
tento explicar. noite, quero te ganhar.
não acredito em nada. noite ,chorei para ti testemunhar
a vida me abortou. noite, vou chutar as pedras.
escuto o cochichar no ouvido. noite, me achas louco?
procuro algo importante. noite, quero te esquecer
Noite ,estou indo pra casa ligar a tv, quem sabe no sofá vou adormecer.
E D F 2001/2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


CINEMA MUDO EM PRETO E BRANCO 33 mm

- gritos e gestos de uma repórter estérica.
Vamos Alves seu palerma ,filma aqui.
Essa mulher está carregando uma sacola parece que tem alguma coisa , Deus meu Deus sensacional a suspeita está correndo.
-Vibra a repórter
Parado ai sua vagabunda, cachorra sem pai.
-grita o sargento, com a arma em punho.
vamos abra logo,ou terei que usar a força
-Grita o policial
Que isso senhor policia, isso aqui são verduras, sou mãe de família
-chora a senhora surpreendida
sargento tem apenas tomate, pepino e um abacaxi
-responde o cabo
A policia está agora com a suspeita, mas parece que estava vindo do mercado, isso não dá audiência, faz alguma coisa sargento.
-A repórter suplica.
Vocês viram ela reagiu, muito bem delinquente da terceira idade..
- fala o sargento
O ancora está ficando nervoso nos estúdios,
-avisa o câmera.
vamos filma aqui parece que não é só verdura, essa mulher tem droga no meio das compras,
- suando frio gesticula o cabo
a suspeita deixou cair a arma, não, não está errado parece que a arma é do cabo
-se complica a policia
Mas isso não é meu, alguém colocou aí.
- A mulher jura que não tem droga nenhuma.
isso ,continua, está dando ibope, só subindo há há há.
- A repórter comemora
Vamos conduzir essa traficante até ao sexto distrito foi pega em flagrante trasportando algo ilegal nesta sacola de compras
-o sargento confirma que é entorpecentes e logo condena a suspeita
vinhemos aqui pois recebemos uma denuncia anônima.
Baba o sargento cumprindo o dever, prendeu uma senhora.
bom nós ficamos por aqui
-diz a repórter
então como ficou a imagem
-pergunta o diretor.
FIM
Atuaram neste filme de 33 mm.
A reporte estérica: Sílvia Cassandra
A senhora da sacola: Maria Marley
O câmera: Vicentinho Lopes
O sargento: Pedro Paulo Vascara
O Policial: Nunes Pascovitc
Ator convidado para o papel do cabo : Marcondes Ananias.
Filmado no quintal da tia: Vera Fofoca
gênero :comédia pastelão.
Trilha sonora: O cão arrependido Pedro Marques de oliveira.
Patrocínio: Estúdios trash color
O diretor e escritor? Eddy Fantasia.
E D F 2010.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Crônica de um brasileiro desesperado 11

Crônica de um brasileiro desesperado 11
O QUE ?

eu fico aqui no meu lugar,
escuto algo soar palavrão
finjo não acreditar nas palavras que eu nasci para escutar
sentado pois em pé eu vou cansar.
Haja coragem para aguentar
diante da tv sofro pois por mais que eu rime ninguém vai escultar
O que ? O que ? O que ?
Uma menina foi estuprada?
- evitar caminhar nessa estrada
O que ? O que ? O que ?
- Não há poste com iluminação
-o que ? O que? O que ?
-cala a boca cidadão
Sei que é chato meu refrão
Policia circulando onde ? Eu não vi
-por favor ao caminhar pela cidade não use o tênis importado.
afaste o perigo
O que? O Ladrão trabalha para o estado?
-Não, relógio não pode usar
se continuar falando o vou te processar
o que ? Oque ? O que ?
- Sei que é chato meu refrão
o dinheiro de impostos onde foi parar ?
-O que ? O que? O que?
O refrão mudou de lado.
-Com certeza deve está no bolso de algum deputado.
ficou tão facil rimar
-plenário vazio deputado mala cheia cueca dólar na meia
obras super faturada eleição mentira de montão, viagens prevaricação

E D F 2010.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cronica de um brasileiro desesperado 10


Cronica de um brasileiro desesperado 10

BANG BANG TEMPOS MODERNOS.

sem cavalos botas esporas nem chapel, em qualquer tempo a violência é sempre a mesma
hoje não se sabe quem é mocinho policia ou ladrão, e o pobre do cidadão vira refém no meio disso tudo...vivemos um faroeste tempos modernos.
Assalto a joalheria

grita Jonas:..vamos velha, já pro canto. Não tente ser esperta isso é um assalto, se não fizer tudo da maneira correta enfio uma bala na sua cara e não terá um enterro como gostaria o caixão descera lacrado.
Miro seu comparsa:..ai filho de uma cadela pulguenta aqui ninguém tá de brincadeira, não faça nada de errado para não se arrepender depois. Agarrado lhe pela camisa o jogou no chão.
coloque a porra da mão para trás da nuca anda anda. em seguida começaram a quebrar a vitrine do balcão com o cano das armas colocando as jóias em sacolas. Tudo parecia resolvido quando Jonas teve a infeliz ideia de querer dinheiro também.
onde está o cofre?
Não temos cofre respondeu o velho.
Por favor já pegaram tudo implorou a pobre senhora.
Vamos cair fora! O tempo tá passando disse Miro.
Velho viado e mentiroso, acha que tenho cara de palhaço? Insiste Jonas engatilhou o revolver e atirou a sangue frio der repente um barulho. Parecendo o cantar de pneus. Assustados caminham até a porta e para surpresa geral..
caralho bicho!cade a porra do carro?
Onde tá sua mulher? Vanessa que esperava no carro de fuga havia deixado os dois na mão. uma veraneio se aproxima com uma sequência de tiros. Miro berra
corre bicho, os macaco tão atirando da uma olhada para o lado enquanto corria vê Jonas ser atingido nas costas os policiais descem da viatura e disparam mais dois tiros em Jonas já caído. Miro esbarra num fulano desavisado a sacola cai e abre espalhando tudo na calçada deitado no chão ele atira pra valer derrubando um dos policiais logo se levanta atravessa a rua Rubens Barbosa em meio aos carros, vê o cemitério á frente desesperado sobe no portão e pula , segue correndo entre túmulos tropeça e cai dentro de uma cova, com a respiração ofegante e o coração acelerado Miro transpirava muito, nervoso aponta a pistola para cima pressentindo algo errado pensa:
a porra da policia já está aqui, que merda! O primeiro fela da puta que colocar o focinho eu meto bala. Escuta conversas.
Eu vi o filho da puta entrando, deve está escondido.
Aparece bandidinho pé de chinelo, assassino de policia vamos te pegar. Sabe aquela vaca amiga de vocês? Entregou todo plano, eu sei quem é você, vou te dar três minutos para se entregar vou caçar você revirando todos os túmulos, não deixaremos um só cadáver enterrado.
Miro reconhece aquela voz
porra é o Zara
quem está no comando sou eu . Lembra do homem que te jogou naquele inferno? Pois é a minha obrigação é prender daí os burrocratas sentado atrás de mesas fizeram o favor de te soltar,bom isso não vem ao caso agora. Sabe que sou durão você agora tem dois minutos não há saída, já causaram muita confusão não há alivio invadiram minha cidade, beberam meu vinho, fumaram meu cigarro, mataram gente minha tudo isso eu sei nenhum de vocês conhece limites, enquanto Zara discursava Miro já avia deixado a cova..
há muitos entre nós que acham que a vida não passa de uma grande piada sem graça, mas eu e você já passamos por isso em lados opostos. Isso é o destino te prender só que agora vou te matar não falamos falsamente pois pra você cadeia é pouco, já está tarde seu tempo acabou.
Acabou mesmo mas não para mim, surge Miro no meio da neblina com a pistola pronta para matar.
O discurso foi bonito só que essas palavras pertence ao coringa! Ele não gosta de policia, chega de papo furado aqui é vida real.
atira seu verme grita Zara. Então Miro atira.
Coitado andou lendo gibi de mais..
algumas horas depois..
caminha Miro quase com o dia clareando vê um fusquinha caindo os pedaços parado num sinal algumas pessoas atravessam na faixa de pedestre rápido surpreende o motorista desavisado
desce logo desta lata velha, o homem nem reage, Miro entra no fusquinha e segue pela avenida engenho Antônio, alguns minutos depois vê a entrada da favela Brasília teimosa, desce do veiculo vai seguindo apé entre barracos becos e vielas até sumir...
E D F 2010