quarta-feira, 27 de junho de 2012

TELEMARKETING


TELEMARKETING
            TRÁGICO E CÔMICO


-Se você é besta disque 1
 Se for Otário disque 2
 Se não tem o que fazer disque 3
 Se não agüenta esperar disque 4
Ou desligue o telefone agora, pois eu só quero te enrolar.

-Card Green bom dia no que posso ser útil?
-Estou a dias tentando cancelar o meu cartão, que falta de consideração com o cliente.
-Calma senhora.
-Calma?
-CPF, por favor,
-845926143-15
-Nome completo.
-Elizandra Santos Ferreira.
-Qual é o problema com o cartão?
-Olha, pago todas as contas na data certa, de uma hora pra outra começou a chegar faturas indevidas.
-Entendo, aguarde na linha por favor, vou transferir a ligação.
            
          A musiquinha
Se você ainda está na linha eu vou morrer de rir
Espera, espera, espera, espera até se cansar
Estou do outro lado pensando se vou te ajudar.

-Bom dia, no que posso ajudar?
-Eu gostaria pelo amor de Deus de cancelar o meu cartão, já falei com a outra atendente.
-Aguarde na linha, por favor.

           Outra vez a musiquinha
Se você acreditou e ainda está na linha fui tomar um cafezinho
Espera, espera, espera, espera, até se cansar vai ficar nervoso
Não quebre o telefone de nada vai adiantar
Estou do outro lado pensando se vou te ajudar.

-Departamento pessoal bom dia.No que posso ajudar?
-Estou tentando cancelar essa droga de cartão, já ouvi essa musiquinha por duas horas.
-Calma senhora, me diga o seu CPF.
-O CPF novamente??? Eu desistooooo !!! Não quero mais cancelar nada.
-Card Green agradece, tenha uma ótima semana.


Ed.2012



    

sexta-feira, 8 de junho de 2012

JESUS CRISTO




JESUS CRISTO
            Satélite
              2.035

-Não, não pode ser.
-O que foi minha filha?
-Reverendo, tive um pesadelo terrível. Que o senhor Jesus cristo era um satélite
Ele tinha braços enormes me falava sobre chips e bancos de dados.
-Não me condene, são os tempos modernos.
Perseguição digital é uma coisa natural.
Filha, eu preciso saber com quem andas
Aonde vai esse é o amor de pai.
Não adianta se esconder sou o olho que tudo ver.  

-Que isso querida Janaina?Em nome do sagrado, cristo é amor
Vamos, levanta-se desta cama.
Lave o rosto, tome seu café, pois hoje tem escola dominical.
-escola dominical? Eu queria ir ao parque, pois hoje o dia está muito bonito, porque não posso tomar banho no rio com os meus amigos?
-Não faça esse cara, buscai ao senhor enquanto é tempo. Lembra se! Não bata o pé!

Pensou... Ontem te flagrei entre as árvores mastigando chiclete
Depois foi nadar nua no rio, não gosto das suas companhias subversivas.
Liberdade demais isso devia ser crime!  Ainda bem que tenho alguns brinquedinhos pra te vigiar.  


Ed 2012-06-08




terça-feira, 5 de junho de 2012

VIAÇÃO TAGUATINGA 173


VIAÇÃO TAGUATINGA 173

Olhos nos olhos foi assim quando Maristela parou na roleta...
Rubens se apaixonou perdidamente
Se transportando para outro lugar, caminhou de mãos dadas no parque
Sorriu e brincou a vontade, comeu algodão doce
Fez piquenique na quinta da boa vista tudo na Companhia da linda Maristela 
Pensou o mundo é belo amor, amor foi até a lua e voltou
Clama por mim o amor, clama por mim

-Cobrador, cobrador o senhor está surdo? Me dá o meu troco
-Hã, troco? 
-Te dei cinco, quero meus três.
-desculpa, estou meio desligado hoje.

O Pobre ficou vermelho com a situação embaraçosa,
parecia que o povo inteiro tivesse virado em sua direção.
Acabou o amor idealizado por Rubens.
Fim da ilusão, Maristela?
Esse talvez nem fosse o nome dela.

Segunda parte:

Pensamentos de Maristela. Era esse o seu verdadeiro nome? 
Foi assim quando ela entrou no ônibus e notou Rubens...
Pensou:- bonitinho o distraído, mas um pouco maltratado, se trocasse esse desodorante daria um ótimo amante.
É a segunda vez que eu o encontro... Rubens!Lindo nome 
Passou rapidinho na roleta

-Moça, seu troco.
-Hã, troco? 
-desculpa, estou meio desligada hoje.

Ao contrario de Rubens ela não foi para lugar algum, não criou castelos,
pois nada ali se tratava de um conto de fadas.

O autor vive de histórias
 Assim que entrou no ônibus ele apenas viu o crachá no peito do cobrador com nome grande ‘RUBENS’ pagou a passagem e logo perguntou:
 -Esse Ônibus passa no vai quem quer?
-Passa, terá que caminhar um pouco.
-Muito obrigado

O autor sentou no terceiro banco a esquerda do motorista e ali ficou observando Rubens então duas paradas depois entrou Maristela, puxou uma caneta do bolso tirou da mochila um papel...                 

Ed.2012-04-17

sábado, 5 de maio de 2012

O poeta subiu no telhado


O poeta subiu no telhado




Ruas têm
Vidros estilhaçados, corações amargurados
O bar, cachorro vira lata, uma janela e a fofoqueira
Igrejas, vários meninos perdidos, a puta, santinha o
Bêbado que nunca encontra o buraco da fechadura

Ruas têm
O tarado e mendigo fome e violência
Carros velhos desmontados, o gordo e o magro
Mulheres lindas, um padre e o pastor vendedor de milagres

Ruas têm
Uma padaria em cada esquina, ambulante e o traficante
Um cara gastando água, alguns velhos jogando baralho, o profeta
O metido e o solitário, casas barracos e puxadinhos
A falta de luz, água, saneamento básico, policia e os buracos
Um borracheiro ou pedreiro chamado Mário

Ruas têm
Ritmo, cor, o palhaço e o anão a falta de espaço, pernas apressadas
O ladrão, esmola e o cidadão cabisbaixo, motoristas embriagados
A felicidade do cara que encontrou a primeira namorada embaixo do meu telhado  


Ed.2012-03-29
  

sábado, 14 de abril de 2012

A SEGUNDA MORTE DE SÓCRATES

A SEGUNDA MORTE DE SÓCRATES

 Ana me ama, seu amor é um risco
 De repente a salvação da humanidade
 Outro dia ela apontou o revólver na minha direção
 Atirou, a bala acertou no quadro que ficava na parede
 Ana matou Sócrates pela segunda vez.
 O tiro furou o peito, fez um buraco enorme
 Ao invés de sangue, a sala se encheu de filosofia
 A casa ficou com o tom de harmonia
 A educação se espalhou pelo chão subindo pelas paredes
 Cobriu o telhado, tomando todo quintal.
Corri, não fui egoísta abri logo o portão
 Eu falo com as flores, meu jardim se coloriu de palavras
 A filosofia é a cura da alma, o melhor de tudo isso foi o contágio
 Em toda cidade curando os males de toda sociedade
 -Afonso!
-Sim, professora Ana.
-Dormindo outra vez na minha aula?
-Professora, bem que podia ser verdade.
-Que verdade menino?
-Professora Ana, obrigado por tudo.
-Bom, deixa continuar a minha aula. Como eu dizia antes de ser interrompida...

 Ed 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

OS SONHOS DE RUBENS


OS SONHOS DE RUBENS

Rubens pegou na caneta
Pensou em escrever algo interessante
Pensou primeiro nos hippies
Depois no pop, arte, Tropicalismo, beatniks
Pensou na juventude dos anos 60 e como tudo ficou distante, nada seria igual.
Então escreveu sobre os dias de hoje.
Conseguindo uma bela historia sobre os meninos do Restart...
-onde estaria essa banda daqui a 40 anos? Pensou e se perguntou.
-Conseguiriam eles produzir um álbum para entrar na historia do rock?
Guardem bem esses nomes - Pe Lanza, Koba, Pe Lu eThominhas.Não estou sendo irônico eu sou é sarcástico mesmo, não vejo futuro na musica brasileira e muito menos na mundial. Logo pegou o que tinha escrito e jogou na lata de lixo.
Rubens olhou para a parede da sala de sua casa e viu uma fotografia ampliada bem antiga, estava um pouco amarelada, era das manifestações de 68 em paris. Lennon e Yoko ao centro com Timothy Leary à direita. Pensou em Joan Baez com Bob Dylan. Sorriu. Sentiu um vento... De repente um furacão vindo da Bahia. Gal, Gil e Caetano.
-é proibido proibir! Gritou Rubens
Logo jogou a caneta de lado, levou a caneca de chá até a boca e tomou ,resolveu subir as escadas e foi dormir.
Rubens teve belos sonhos.


Ed.2012

domingo, 1 de abril de 2012

O ILUSIONISTA


O ILUSIONISTA
Ed 2012.


Palco coberto com tapetes vermelhos, por todos os lados enormes espelhos.
O ilusionista no centro, um homem alto ruivo ardente com dentes aparente, todo de roupa preta engomada, sapatos laqueados, na cabeça uma cartola verde, gravata clara.
O ilusionista brincava com a platéia, coelhos pombos e cartas até que veio o grande truque anunciado por ele.
-esse será o “grand finale” de algo jamais visto pelos olhos humanos, você pode imaginar! Brincadeira? Verdade? Basta sonhar, meus amigos serão testemunhas do maior número de mágica da terra.
Quem aqui gosta de dinheiro? Disse ele apontando o dedo indicador.
-Eu! gritou a mulher na primeira fila.
-Mulher esperta.
De repente a platéia criou uma grande expectativa, pois o ilusionista prometeu que o dinheiro cairia do céu.
Todos em coro começaram a gritar; dinheiro, dinheiro...
Até que os tambores rufaram.
-levante as mãos meus irmãos, sejam felizes, pois só o dinheiro cura os males da nossa sociedade. Ele apontou a varinha de condão para o alto, de repente abriu os espelhos do teto, foram caindo notas por todo o salão, as pessoas se jogavam no chão, daí veio à confusão, correria tapas e socos pontapés, todos perderam a razão e foram caindo notas muitas notas, aquele era o grande truque, algo realmente jamais visto por olhos vivente. Conforme o dinheiro tocava as mãos se transformava em fezes. A senhora gorda nem notou logo colocou na bolsa, um senhor de meia idade usou o chapéu algo mudou, veio o fedor. Crianças chorando adultos e adolescentes patinando ninguém mais se seguravam, as pessoas estavam literalmente nadando na merda tentavam sair mais não conseguiam.
Gargalhadas, seguidas de algumas palavras.
-Gananciosos, querem dinheiro fácil? Nunca ouviram falar que dinheiro não cai do céu? Depois de tudo aquilo por um instante o ilusionista tinha toda razão, palavras tão simples que o homem nunca aprende ‘Dinheiro não cai do céu’.
Aquele olhar é algo que nunca vou esquecer um olhar macabro. O ilusionista sumiu num encanto, eu segui com a minha vida simples.
Essa é mais uma crônica para a gazeta dos patos, homenagem ao 1° de Abril.

sexta-feira, 16 de março de 2012

ERA DO RADIO


A ERA DO RADIO

A mão e a chave, o buraco da fechadura, abrem-se a porta. Ali estava entrando uma mulher de óculos cabelo curto e pinta no queixo. Uma língua do tamanho do mundo.

-Estou cansada quero tirar esses sapatos, estão me matando. Olha o jeito que ficou meus pés cheio de bolhas, bem que você podia me carregar no colo não vou agüentar subir as escadas.

Carlos ao ver a esposa naquele estado comenta:

-não se divertiu muito essa noite.
-Gosto muito de ir ao teatro, só não aprecio esse tipo de peça. Oto Varella é um péssimo diretor, seus roteiros são de um mau gosto tremendo, que horror aqueles figurinos só a Lucia mesmo para me fazer gastar dinheiro com esse tipo de programinha vagabundo, devia ter ido ver o Alfonso Mesquita, pois sentinelas da liberdade deviam estar muito melhor.
-Que isso? O rapaz não é tão ruim assim, ele apenas nos passa a realidade de coisas que as pessoas escondem.
-Pra mim isso é pornografia barata, uma imitação de Nelson Rodrigues, tudo ali é apenas copia mal escrita de ‘somos dois’, um sujeito que gosta de falar da desgraça alheia, parece programa do Dativo careca.
-Eu não acho apelativo, isso é apenas uma visão cristã sua, até parece que você não gosta de um bom bate boca. Quer saber Candinha?Você está precisando de um banho e uma cama bem quentinha, esse tipo de conversa não vai nos levar a nada, vamos acabar discutindo.
-Eu acho esse Oto Varella um louco depravado e pronto, devia estar num hospício. visão cristã bate boca? Até parece, acho bom você começar a não apelar se não vai dormir no sofá, ele não sabe o que é teatro e pronto.
Carlos sorri:
Você é uma mulher muito cruel dona Candinha, eu acho ele tão talentoso, é um pouco maldoso mais eu gosto do jeito dele de falar de certos assuntos.
Chega, agora chega! Vai ou não vai me carregar no colo?

Sorrindo ele a pega no colo dando- lhe um beijo ao subir as escadas.
Esse foi mais um programa da série a ‘’língua da Candinha fere’’! Num oferecimento do café tradicional você toma lendo o jornaaaalll.

Do outro lado da cidade alguém ouvia um programa famoso na rádio.
-Olha o que a Candinha mexeriqueira está falando da minha peça. Que eu sou copia de Nelson Rodrigues, isso é um absurdo! Trabalho tanto no meu espetáculo vem uma língua de trapo e fala isso, é uma critica sem fundamento.
-Calma querido, olha o coração.
-Que calma Amélia? Estou cheio desse programa de rádio vagabundo toda semana sou citado. Isso é perseguição.
-Oto, Oto isso é apenas fofoca dessa Candinha.
-O pior é que todo Brasil escuta isso.
-Não pode dar ouvido. Nunca ouviu o ditado?Falem mal, mas falem de mim?


FIM

Ed.2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

O garoto que mora dentro de um latão de lixo.


O garoto que mora dentro de um latão de lixo.

Ed.2012
Em alguns minutos esqueci quem eu era, quem eu fui ou quem sou.
Esqueci da minha mãe, filha e namorada.
Esqueci dos bons colégios que estudava.
Esqueci das belas flores que plantava.
Por alguns minutos, frações de segundos.

Eu vivo no latão de lixo, me alimento do lixo
Sou o verdadeiro homem lixo, flagelo humano.

Estou me lembrando, já faz um ano.
A mão, o cachimbo... Algumas tragadas puxadas.
Joguei fora o que eu mais amava.
Minha mãe não quer saber. Me expulsou de casa
Quando minha filha passa, me escondo.
A namorada que eu tanto amava me trocou por outro cara.
Bons colégios de nada me servem na minha triste caminhada.
As belas flores que plantava.
Amanhã enfeitarão o meu caixão que descerá numa cova rasa.

Eu vivo no latão de lixo, me alimento do lixo
Sou o verdadeiro homem lixo, flagelo humano.

quinta-feira, 1 de março de 2012

UMA ÓPERA BRASILEIRA


UMA ÓPERA BRASILEIRA

O beco da faca orgulhosamente apresenta. ‘’Papai e mamãe’’!!!

Num cenário revestido todo em madeirite no alto do morro.
Algo digno de pena, a vergonha nacional.

Barraco, barraco, barraco, em volta o esgoto que cheira mal.
Decorando o canto na sala uma TV 14 polegadas, um sofá rasgado coberto com lençol.
Estou em casa, sou a única platéia da ópera da miséria.

Entram em cena os artistas do espetáculo...

Papai ficou bem maquiado
Mais um dia desempregado
Mamãe magrela de tanto ralar a barriga no tanque
Tem dias que nem come.

Bem vindo à ópera do pobre soco tapas e pontapés
Maria e José.

Abre- se as cortinas.

Mamãe xinga o papai de vagabundo ordinário
Papai não fica calado, pois se sente humilhado. Desfila o primeiro tapa.
Mamãe se levanta partindo para cima. Ela é mais fraca.
Papai covarde joga mamãe no chão.

Outra vez? Outra vez? Eu gritei, mas infelizmente ninguém me escuta.

Mamãe pega a corrente do cachorro e tenta se defender revidando com um golpe certeiro
Papai fica tonto, escorre sangue
Então eu me escondo e choro. Não posso me meter, suor frio coração dispara. Penso...
Se eu ficar aqui vai sobrar pra mim, abro a porta devagar... Ah, me esqueci. Meu nome é Salazar.
Vou morar na rua
Vou crescer
Vou roubar
Vou te matar
Você tá me olhando porquê rapá?

Ed.2012-01-27